Namorando as palavras com a ponta dos dedos

01
Jan 09

Na ausência de histórias para contar

na presença do papel

virava felino imprevisível e lúcido

tocando a vida das pessoas

com o aparo pingando letras

na pele dos dias a denunciar jardins de silêncios

onde arbustos desordenados escondiam as ultimas flores.

publicado por Jalves às 22:39

28
Dez 08

Sitiados nos escombros dos edifícios respiravam os olhares vazios das sombras dos candeeiros de lâmpadas ocas de luz

o frio regava-lhes o corpo despidos de sentidos e os musgos brotavam viçosos

como sorrisos de pássaros de asas soltas no vento

mascados os últimos bagos rastejavam como aladas serpentes das memórias

arrumadas nos armários de portas cambadas pelo peso do tempo

a noite fazia-se branca leitosa como se o mundo não enxergasse os espelhos dependurados

das sujas paredes nas esconsas vielas da vida.

 

 

 

publicado por Jalves às 23:16

11
Nov 08

Gastamos as palavras nos dias claros de cansados olhares.

Revolvemos os restos na procura de nossos pedaços de vida.

Projectamos sombras nas paredes vazias dos dias lentos.

E gastos de tanto articular ideias cruzamos a vau os rios da memória.

Sempre, sempre em cheia permanente.

publicado por Jalves às 15:10

31
Out 08

No silêncio de néon

a musica confessa fascinantes tons

a alma dança nos sorrisos abertos ao desejo

cerradas as pestanas viajamos sem limites

e a noite como um espelho reflecte a porta aberta da vida

na alquimia complexa da fusão.

publicado por Jalves às 22:22

19
Out 08

Breve estarei com outras letras

publicado por Jalves às 00:53

08
Jul 08

Com a face a moldar sorrisos

nesta cidade de muitos encontros

sobeja-lhe o olhar

soltando lascas de tempo

em apeadeiro certo.

publicado por Jalves às 21:34

03
Jul 08

As pedras não voam sobre as aguas do rio

os sorrisos colam-se ao rosto das crianças felizes

as lágrimas correm sempre para o chão

a poeira cerra-nos as vistas

e inclinado o corpo sustem os pesos do mundo

no fundo.

 

 

publicado por Jalves às 21:59

15
Jun 08

Devoramos as ideias nos pratos sujos do tédio

limpando os lábios aos cotovelos no delírio das coisas vulgares

rasgamos as contas no papel engordurado dos dias menos felizes

esperando que a luz na noite se faça

e as frestas das portas deixem passar o mofo dos nossos interiores sempre adiados.

publicado por Jalves às 23:16

08
Jun 08

Esperava com a paciência de quem vê uma arvore crescer

e no rodar do tempo a promessa de melhores dias

o horizonte já ali definia a distancia entre nós

e porque

as palavras são o sal da língua

bebia muita água.

publicado por Jalves às 12:57

23
Mai 08

Do real para o sonho

um voo de

pingo de chuva

na asa

limo em casco de navio como um fio

no frio já de teu corpo

arrastando no redemoinho do momento

a visão fulva de teus cabelos

como rasto de cometa brilhando no firmamento.

publicado por Jalves às 10:14

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