Namorando as palavras com a ponta dos dedos

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Ago 06
Respirava devagar, gostava de subir a rampa que o levava ao cimo do morro, gostava de contemplar lá longe onde a sua vista cansada de tantos anos podia enxergar. Sentava-se na pedra que o aguardava à bastante tempo. A brisa que soprava aliviava-o daquela canícula habitual para a época do ano. Do bolso do colete negro sobre a camisa branca, retirava o tabaco de enrolar, vicio antigo que o acompanhava através dos anos. Adorava expelir o fumo pelas narinas criando assim efeitos breves de fumaça . Apanhara o  habito de fumar em miúdo , começara a trabalhar cedo na idade pois era preciso ajeitar a vida, os tempos eram negros como a fome. De observar os mais velhos o desejo da experiencia era mais forte, precisava de alimentar o ego, e de se fazer homem o mais rápido possível . Cruzar o rio pela madrugada de inverno era obra, mas o corpo molda-se ao tempo das coisas e das necessidades . O frio rasgava os corpos como lamina de barbeiro em semana de féria fresca. Os dedos calejados de tanto as cordas firmarem na subida e descida das velas mais pareciam pedaços de lixa. O salgado da água entranha-se nos corpos gretando a pele até ao avesso de si mesmo.
publicado por Jalves às 00:08

as histórias de vida são fascinantes mesmo
Anita a 12 de Agosto de 2006 às 17:50

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